Passamos até agora por diversas obras dos Papas desde Leão XIII, que constituem a história dos princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja, conforme o contexto da época em que foram pensados e escritos.
Chegamos então ao momento atual, com o pensamento do Papa Francisco, uma Papa nascido na América Latina e que traz novas luzes para quem deseja viver os ensinamentos do Evangelho.
Ele tem uma visão pastoral que permite tornar concreto o núcleo da mensagem de Jesus: fé, esperança e caridade não são meros conceitos, mas uma prática de vida, provoca uma ação concreta:
«Às vezes esquecemos que a nossa fé é concreta: o Verbo fez-se carne, não se fez ideia: fez-se carne». Não é por acaso que «quando recitamos o Credo, dizemos coisas concretas: “Creio em Deus Pai, que fez o céu e a terra, creio em Jesus Cristo que nasceu, morreu...”, são coisas concretas. O nosso Credo não diz: “Creio que devo fazer isto, isso e aquilo, ou que as coisas são para isto...”: não! São coisas concretas». ( Meditações matutinas, em 24 de abril de 2017).
Ora, os ensinamentos da DSI são também concretos, porque são propostas de atitudes, de comportamento de quem quer viver a fé. Isso não importa excluir as pessoas não batizadas, ou não cristãos, pelo contrário, abre para elas a liberdade de aderir a modos de viver que conduzem à justiça e à paz.
O Papa Francisco diariamente expressa em seus discursos, homilias e mensagens aquilo que solenemente se encontra em suas duas Encíclicas e duas Exortações apostólicas:
Lumen Fidei, sobre a fé ( LF), Encíclica datada de 29 de junho de 2013, escrita para completar o que o Papa Emérito Bento XVI escreveu nas suas encíclicas sobre a Esperança e o Amor: Spe Salvi e Veritas in Caritate.
Evangelii Gaudium, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG), Exortação apostólica de 24 de novembro de 2013, com as conclusões do sínodo sobre evangelização.
Lautato si', sobre o cuidado da casa comum (LS), Encíclica de 24 de maio de 2015, que teve repercussão mundial, por sua atualidade e significado para a sobrevivência da humanidade.
Amoris laetitia, sobre o amor na família (AL), Exortação apostólica datada de 19 de março de 2016, com as conclusões do sínodo sobre a família.
Entre muitas reflexões, quer se trate da fé, do anúncio do Evangelho, do cuidado ambiental ou do amor matrimonial, podemos destacar uma constante preocupação social:
"A fé ilumina a vida social." (LF 55);
"A política não deve submeter-se à economia" (LS 189);
"Nenhuma união precária ou fechada à transmissão da vida garante o futuro da sociedade" (AL 52);
"Muitas vezes a própria política é responsável pelo seu descrédito, graças à corrupção e a falta de boas políticas públicas" (LS 197);
"Aos problemas sociais responde-se, não com a mera soma de bens individuais, mas com redes comunitárias" (LS 219);
"A dignidade da pessoas humana e o bem comum estão por cima da tranquilidade de alguns que não querem renunciar aos seus privilégios." (EG 218);
"O autor principal, o sujeito histórico desse processo (de construção da paz e da justiça), é o povo e a sua cultura, não uma classe, uma fração, um grupo, uma elite" (EG 239).
(continua)
"NEM TUDO QUE SE ENFRENTA PODE SER MODIFICADO, MAS NADA PODE SER MODIFICADO ATÉ QUE SEJA ENFRENTADO" Clique no título BLOG ANTERIOR DO FORSEP MS (abaixo) para acessar todas as publicações realizadas no período de 2009 (ano de criação do FORSEP) até julho de 2012 (última publicação da primeira fase do Fórum)
terça-feira, 9 de maio de 2017
quarta-feira, 3 de maio de 2017
CRJP/MS PARTICIPA DE MANIFESTAÇÕES DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
A Comissão Regional de
Justiça e Paz participou efetivamente das manifestações do dia 28 de abril
e 1º
de maio, protestando contra as propostas do governo para as chamadas reformas
da previdência
e trabalhista, além da Lei da terceirização.
Na manhã de sexta-feira, 28 de abril, acolhendo as convocações de
diversos movimentos sociais,
sindicatos, CNBB, OAB e outras instituições de classe, os membros da CRJP/MS uniram-se à
multidão na Praça Ary Coelho e caminharam pela rua 14 de Julho, formando uma massa humana
que lotou mais de dez quadras, até a Assembleia Legislativa, onde realizou-se uma audiência pública.
sindicatos, CNBB, OAB e outras instituições de classe, os membros da CRJP/MS uniram-se à
multidão na Praça Ary Coelho e caminharam pela rua 14 de Julho, formando uma massa humana
que lotou mais de dez quadras, até a Assembleia Legislativa, onde realizou-se uma audiência pública.
A maioria do comércio da região fechou suas portas em apoio ao movimento, com cerca de 70 mil manifestantes, crianças, jovens, adultos e idosos.
Tudo
transcorreu de modo pacífico, sem nenhuma ocorrência negativa.
Os carros de som
e as palavras de ordem motivavam os participantes de diversos credos, sem
identificação de partidos.
No dia 1º de maio, dia do Trabalhador, na Igreja São Francisco de Assis, foi celebrada missa em honra de São José Operário, com liturgia preparada pela Rede Celebra, CIMI, ACP e CRJP, leigos e religiosos. A missa presidida pelo Coordenador de Pastoral Diocesana, Pe. Agenor Martins, concelebrada pelos Padres Carlos Botura e Márcio Reis, foi precedida de canto, dança e bênção com rito indígena. A homilia proferida pelo presidente da celebração foi uma exortação aos fiéis para que respeitem a dignidade humana, os direitos de todos, especialmente o direito ao trabalho, descanso e justa remuneração.
Ao final da Missa foi lida a Carta Aberta de Dom Dimas Lara Barbosa, Arcebispo Metropolitano, em que ele exorta a todos os fiéis a “darem atenção aos debates sobre as propostas em tramitação no Congresso... expressando seus pareceres aos parlamentares e participando de todas as manifestações democráticas e pacíficas que visem a preservar os direitos e garantias historicamente conquistados, evitando a exclusão social”.
Ao final da Missa foi lida a Carta Aberta de Dom Dimas Lara Barbosa, Arcebispo Metropolitano, em que ele exorta a todos os fiéis a “darem atenção aos debates sobre as propostas em tramitação no Congresso... expressando seus pareceres aos parlamentares e participando de todas as manifestações democráticas e pacíficas que visem a preservar os direitos e garantias historicamente conquistados, evitando a exclusão social”.
Depois da bênção foi entoado o Hino Nacional e as frutas oferecidas abençoadas durante a celebração foram partilhadas entre os participantes.
terça-feira, 2 de maio de 2017
GOTAS DE DSI 3
AS DECISÕES DO CONCÍLIO VATICANO II tiveram e têm até hoje importância fundamental nos rumos da Igreja e decisivas consequências na sociedade não só dos fiéis, mas universal.
Muito do que foi escrito a partir do Concílio reflete os princípios ali expostos.
São marcantes as posições tomadas pelo Papa São João Paulo II, que dedicou valiosos documentos quanto à Doutrina Social da Igreja, aprofundando-se em temas como o trabalho, a preocupação com a solidariedade entre as nações, colocando em destaque a estreita relação entre solidariedade e bem comum, solidariedade e destinação universal dos bens, solidariedade e igualdade entre os homens e os povos, sendo determinante na construção da paz.
Três encíclicas, ainda hoje citadas em documentos posteriores, marcam o ensinamento desse Papa:
Laborem Exercens (1981)- Num contexto de graves conflitos entre capital e trabalho, o Papa João paulo II diz expressamente que "o direito à propriedade privada está subordinado ao direito ao uso comum", isto é, à destinação universal dos bens dos bens (§14). Reconhece a função social de qualquer forma de posse privada, inclusive aqueles decorrentes do progresso econômico e tecnológico.
Sollicitudo Rei Socialis (1987)- O progresso de uns, especialmente de nações já desenvolvidas, provoca profundas desigualdades sociais e injustiças que ferem a dignidade humana.
Centesimus Annus (1991)- Em memória dos 100 anos da primeira encíclica social, a de Leão XIII, o Papa São João Paulo II coloca no centro dos problemas sociais a questão da liberdade de tomar iniciativas econômicas e trata da responsabilidade dos empresários de respeitar a dignidade da pessoa e as exigências do bem comum (§43).
Depois do longo pontificado de São João Paulo II, coube ao Papa Emérito Bento XVI atualizar as questões sociais diante dos questionamentos da modernidade. Destacam-se as encíclicas que tratam da crescente globalização, crise mundial da economia e consequente aumento da miséria.
Muito do que foi escrito a partir do Concílio reflete os princípios ali expostos.
São marcantes as posições tomadas pelo Papa São João Paulo II, que dedicou valiosos documentos quanto à Doutrina Social da Igreja, aprofundando-se em temas como o trabalho, a preocupação com a solidariedade entre as nações, colocando em destaque a estreita relação entre solidariedade e bem comum, solidariedade e destinação universal dos bens, solidariedade e igualdade entre os homens e os povos, sendo determinante na construção da paz.
Três encíclicas, ainda hoje citadas em documentos posteriores, marcam o ensinamento desse Papa:
Laborem Exercens (1981)- Num contexto de graves conflitos entre capital e trabalho, o Papa João paulo II diz expressamente que "o direito à propriedade privada está subordinado ao direito ao uso comum", isto é, à destinação universal dos bens dos bens (§14). Reconhece a função social de qualquer forma de posse privada, inclusive aqueles decorrentes do progresso econômico e tecnológico.
Sollicitudo Rei Socialis (1987)- O progresso de uns, especialmente de nações já desenvolvidas, provoca profundas desigualdades sociais e injustiças que ferem a dignidade humana.
Centesimus Annus (1991)- Em memória dos 100 anos da primeira encíclica social, a de Leão XIII, o Papa São João Paulo II coloca no centro dos problemas sociais a questão da liberdade de tomar iniciativas econômicas e trata da responsabilidade dos empresários de respeitar a dignidade da pessoa e as exigências do bem comum (§43).
Normalmente não se incluem entre os documentos da Doutrina Social da Igreja aqueles que tratam especificamente da família e da vida humana, mas se tivermos presente que toda a DSI tem por fundamento a dignidade da pessoa humana, podemos também incluir neste rol, a Exortação apostólica Familiaris Consortio (1982) e Encíclica Evangelium vitae (1995) e inúmeras cartas, mensagens e discursos sobre o matrimônio e a família como base da sociedade, o aborto, a pena de morte e a clonagem humana.
Depois do longo pontificado de São João Paulo II, coube ao Papa Emérito Bento XVI atualizar as questões sociais diante dos questionamentos da modernidade. Destacam-se as encíclicas que tratam da crescente globalização, crise mundial da economia e consequente aumento da miséria.
Deus Caritas Est (2005) - Trata da caridade como manifestação do amor de Deus, reflete sobre a justiça e a caridade, das atividades caritativas e dos responsáveis por elas.
Spe Salvi (2007) - Trata da esperança cristã, que devemos manter mesmo nas horas mais difíceis. "Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a compaixão [...] é uma sociedade cruel e desumana" (§38) Caritas in Veritate (2009) - Retoma alguns princípios da encíclica Populorum Progressio, de Paulo VI, quanto à justiça e o bem comum, trazendo a reflexão para o século XXI. (continua) |
terça-feira, 25 de abril de 2017
GOTAS DE DSI - 2
Os primeiros documentos da DSI e seu contexto
A conjuntura atual da sociedade brasileira nos leva a olhar para os primeiros documentos pontifícios que trataram dos temas sociais. São documentos que levavam em conta os grandes problemas sociais da época. Aquele que é considerado o primeiro deles despertou a consciência dos cristãos para o problema do trabalho. A partir daí essa preocupação proporcionou muitas conquistas na área do direito trabalhista nas principais nações do ocidente.
A conjuntura atual da sociedade brasileira nos leva a olhar para os primeiros documentos pontifícios que trataram dos temas sociais. São documentos que levavam em conta os grandes problemas sociais da época. Aquele que é considerado o primeiro deles despertou a consciência dos cristãos para o problema do trabalho. A partir daí essa preocupação proporcionou muitas conquistas na área do direito trabalhista nas principais nações do ocidente.
Os pronunciamentos dos Papas que se seguiram até o Concílio Vaticano II tiveram um tão grande impacto nos governos, que mesmo países não católicos aderiram a suas propostas, como um passo de humanização.
Um sinal dessa aceitação são os diversos desdobramentos da Declaração dos Direitos do Homem, feito pela ONU, em 1948.
CONTEXTO: exploração de trabalho, precárias condições
de habitação e salubridade, uso indiscriminado da mão de obra infantil e
feminina, baixos salários e longas e
penosas jornadas de trabalho e os deslocamentos humanos de massa. Consequência
da Revolução Industrial.
DOCUMENTO:
Rerum Novarum (1891) Defende os direitos dos
trabalhadores.
CONTEXTO: Fascismo, nazismo e comunismo. Escombro da I
Guerra Mundial, Revolução Soviética e a
crise de 1929;
DOCUMENTO:
Encíclica Quadragesimo Anno (1931)
Comemoração
dos quarenta anos da Rerum Novarum: alerta aos perigos do poder absoluto do
Estado e se levanta em defesa dos direitos do cidadão.
CONTEXTO: Período de
euforia econômica, ao lado das desigualdades sociais extremas.
DOCUMENTOS: Encíclicas: Mater et Magistra
(1961)- Acena para novos problemas da
sociedade moderna; Pacem in Terris (1963) – enfoca a doutrina política, aponta a
necessidade de um compromisso conjunto para a construção da paz mundial.
CONTEXTO: Contradição flagrante da vida moderna: a extrema discrepância entre o progresso
humano (fruto da revolução científico-tecnológica) e a profunda desigualdade.
DOCUMENTOS: Gaudium et Spes (1965); Encíclica Populorum Progressio (1967); Carta Apostólica Octogesima Adveniens (1971);
Exortação Apostólica Evangelii
Nuntiandi (1975) – Novos
caminhos e novos enfoques para o Ensino Social da Igreja.
(continua)
segunda-feira, 24 de abril de 2017
Carta da CBJP sobre o massacre no MT
Prezado Dom Enemésio Lazzaris,
A Comissão Brasileira Justiça e Paz, organismo da
CNBB, se solidariza com os familiares dos 9 camponeses assassinados na Gleba
Taguaruçu, município de Colniza, Mato Grosso.
A barbaridade perpetrada contra os trabalhadores
rurais atingem todos os que defendem a democracia e os direitos humanos em
nosso país, assim como a Comissão Pastoral da Terra, que há poucos dias lançou
mais uma edição do relatório sobre conflitos no campo, documento-denúncia que
registra as violações contra a dignidade humana sofrida por aqueles e aquelas
que lutam para ver a terra dividida, tornando efetiva a Reforma Agrária, sonho
que acalentava os 9 trabalhadores rurais tombados à bala.
Atenciosamente,
Carlos Moura
Comissão Brasileira Justiça e Paz - CBJP
CRJP integra grupo da Arquidiocese de Campo Grande
Os representantes da CRJP participaram na semana que passou de duas reuniões com o Arcebispo de Campo Grande, D.Dimas Lara Barbosa, em que foi decidida a realização de celebração no dia 1º de maio, Dia do Trabalhador. Ao final da celebração será lida Carta como símbolo da rejeição às propostas do governo que limita os direitos trabalhistas.
sábado, 22 de abril de 2017
GOTAS DE DSI
A partir de hoje publico algumas noções sobre Doutrina Social da Igreja.
Isso é extremamente necessário, em primeiro lugar porque essa é uma exigência do Magistério da Igreja, que pede insistentemente que o ensinamento da Igreja a respeito das questões sociais seja transmitido aos fiéis.
Em segundo lugar, porque é necessário que os cristãos conheçam o que a Igreja ensina, para serem suficientemente esclarecidos a respeito dos princípios que regem o comportamento dos cristãos que desejam viver conforme o Evangelho. A Igreja dá os critérios que devem orientar a vida do fiel em sociedade.
A principal fonte dos ensinamentos da Igreja é a Palavra de Deus, especialmente o Evangelho e os Profetas do Antigo Testamento. A partir deles existe uma série de documentos, encíclicas, exortações, discursos e cartas, escritos pelos Papas, desde Leão XIII, em 1891, até os recentes pronunciamentos do Papa Francisco.
Uma obra que permite ter uma ampla e profunda visão dos documentos da DSI até 2004, é a compilação feita pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, publicado pela Paulinas, em 2005 e que reproduz em sua capa uma imagem da Alegoria do Bom Governo, afresco de Ambrogio Lorenzetti (1338-1339). A explicação dos personagens da alegoria está na orelha da publicação.
Que essa imagem nos inspire a continuar estudando a DSI para que ela possa ser posta em prática.
Isso é extremamente necessário, em primeiro lugar porque essa é uma exigência do Magistério da Igreja, que pede insistentemente que o ensinamento da Igreja a respeito das questões sociais seja transmitido aos fiéis.
Em segundo lugar, porque é necessário que os cristãos conheçam o que a Igreja ensina, para serem suficientemente esclarecidos a respeito dos princípios que regem o comportamento dos cristãos que desejam viver conforme o Evangelho. A Igreja dá os critérios que devem orientar a vida do fiel em sociedade.
A principal fonte dos ensinamentos da Igreja é a Palavra de Deus, especialmente o Evangelho e os Profetas do Antigo Testamento. A partir deles existe uma série de documentos, encíclicas, exortações, discursos e cartas, escritos pelos Papas, desde Leão XIII, em 1891, até os recentes pronunciamentos do Papa Francisco.
Uma obra que permite ter uma ampla e profunda visão dos documentos da DSI até 2004, é a compilação feita pelo Pontifício Conselho Justiça e Paz, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, publicado pela Paulinas, em 2005 e que reproduz em sua capa uma imagem da Alegoria do Bom Governo, afresco de Ambrogio Lorenzetti (1338-1339). A explicação dos personagens da alegoria está na orelha da publicação.
Que essa imagem nos inspire a continuar estudando a DSI para que ela possa ser posta em prática.
CEBI publica nota de repúdio
O CEBI - Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos publicou no dia de hoje, 22 de abril, uma Nota de Repúdio sobre a chacina de indígenas em Mato Grosso.
NOTA DE REPÚDIO DO CEBI SOBRE A CHACINA DE COLNIZA
O CEBI – Centro de Estudos Bíblicos, entidade de caráter ecumênico a serviço da Vida e da Palavra, vem a púbico expressar seu repúdio e sua indignação diante da chacina realizada no último dia 20 de abril, quando pelo menos nove pessoas foram executadas por pistoleiros, no município de Colniza/MT.
O CEBI denuncia a conivência do Estado Brasileiro, que, além de promover a concentração de terras e a destruição da natureza por meio do hidro e do agronegócio, estimula, através da omissão e da impunidade, a livre ação de grupos armados a serviço de empresas corruptas e de latifundiários assassinos.
Esta nova chacina ocorre exatamente na semana em que se lembra com dor os 21 anos de impunidade do Massacre de Eldorado de Carajás, numa região em que fazendeiros gananciosos, invadindo terras que não são suas, seguem executando lideranças de movimentos populares.
Conclamamos toda a sociedade a lutar por justiça, de forma que toda bota que pisa o inocente, toda veste manchada com o sangue dos pobres sejam devoradas pelo fogo (Is 9,4). Não nos dobremos ao poder do latifúndio até o dia em que “o direito corra como a água a justiça como um rio caudaloso (Am 5,24).
Direção nacional
domingo, 2 de abril de 2017
CRJP reflete sobre o solo urbano
A CRJP - Comissão Regional e Justiça e Paz/MS realizou ontem mais um evento relacionado com o tema da Campanha a Fraternidade 2017, dando continuidade ao estudo e discussão dos temas propostos pela CBJP para este ano. Na ocasião estavam presentes, além dos membros da CRJP, a diretora e funcionários da PLANURB, da SEMADUR, da EMHA e da AGETRAN, além de outros convidados. O tema principal foi Solo urbano - Cidade, espaço de cidadania, tendo por base o texto "Solo Urbano e consequências para a Paz", Estudos 109 da CNBB.
segunda-feira, 27 de março de 2017
A Doutrina Social da Igreja na história
A
DSI como
se identifica a Doutrina Social da Igreja, ou Ensino Social da Igreja, é um
conjunto de princípios e ensinamentos da Igreja sobre questões morais relativas
ao ser humano, à pessoa individualmente e suas relações sociais . Ela decorre
de uma atenta reflexão feita ao longo dos anos, motivada pela necessidade de
orientar o comportamento cristão a respeito das realidades sociais.
Todo o fundamento da DSI é bíblico. É a Palavra de Deus, vivida na
história, que ilumina a razão humana
para discernir à luz da fé qual a prática coerente com o projeto divino de
revelar seu amor à humanidade.
Desde os profetas, no Antigo Testamento,
cujos textos são aceitos por diversas confissões religiosas, até os Evangelhos
e demais textos do Novo Testamento, a Igreja produziu importantes documentos
sobre a questão social, que chamamos Magistério da Igreja.
O documento moderno que deu origem a toda
a DSI que conhecemos hoje é a Encíclica Rerum Novarum, de Leão XIII, datada de 1891. Os
documentos do Concílio Vaticano II, especialmente Gaudium et Spes, também são um marco no desenvolvimento
da reflexão social da Igreja, pois a partir deles todos os papas escreveram
encíclicas sociais cujo valor é reconhecido mundialmente por estudiosos do tema
e autoridades internacionais.
Os mais recentes pronunciamentos,
discursos, homilias e encíclicas do Papa Francisco, seja qual for o tema
central que tenham em foco, sempre têm um forte conteúdo social, pois considera
que “se esta dimensão não for devidamente explicitada, corre-se sempre o risco
de desfigurar o sentido autêntico e integral da missão evangelizadora” (EG 176).
“O conteúdo do primeiro anúncio tem
uma repercussão moral imediata, cujo centro é a caridade.” (Francisco, EG 177).
Os principais temas tratados pela DSI
são a natureza social da pessoa humana,
a sua dignidade, os valores e direitos humanos, os princípios do bem
comum, da universalidade dos bens, da
subsidiariedade, da solidariedade e da participação democrática.
Os valores fundamentais da vida em
sociedade – verdade, liberdade e justiça, são explicitados nas relações
familiares, nas relações de trabalho, economia, política, salvaguarda do
ambiente e promoção da paz.
PRINCIPAIS DOCUMENTOS
Rerum Novarum - RN - Leão XIII - 15/5/1891
Quadragesimo Anno - QA
Pio XI - 15/5/1931
Pacem in Terris – PT
- João
XXIII - 11/4/1963
Gaudium et Spes -
GS -Vaticano II -7/12/1965
Populorum Progressio -
PP - Paulo VI- 26/3/1967
Octogesima Adveniens - AO
- Paulo VI - 14/5/1971
Laborem
Exercens - LE
- João Paulo II - 14/9/1981
Sollicitudo Rei Socialis –
SRS - João Paulo II - 30/12/1987
Centesimus Annus - CA
- João Paulo II - 1º/5/1991
Deus
Caritas Est - Bento XVI - 25/12/2005
Caritas
in Veritate –
Bento XVI – 29/6/2009
Laudato si’
– Francisco – 24/5/2015
Amoris Laetitia –
Francisco – 19 de março de 2016
quinta-feira, 23 de março de 2017
quarta-feira, 22 de março de 2017
DIA MUNDIAL DA ÁGUA
Hoje é o Dia Mundial da Água, criado pela ONU em 1992, para refletir sobre a questão da água. Apesar de o Brasil ter um dos maiores litorais marítimos do mundo e uma bacia hidrográfica imensa, ter no subsolo o maior aquífero, ainda não temos consciência do valor da água e que ela não é um bem inesgotável.
Aproveitemos este dia para conhecer melhor como um cristão deve agir ao consumir a água.
A Campanha da Fraternidade 2017, sobre os biomas brasileiros e defesa da vida, e a Encíclica de Francisco, Laudato Si' têm ótimas orientações. Entre as diversas propostas de agir da CF, destaca-se, em relação ao uso da água:
- promover campanhas de conscientização quanto ao descarte adequado dos resíduos sólidos e esgotos sanitários, para preservar os rios, lagoas e igarapés.
A triste constatação do Papa Francisco deve nos motivar para o agir consciente:
Aproveitemos este dia para conhecer melhor como um cristão deve agir ao consumir a água.
A Campanha da Fraternidade 2017, sobre os biomas brasileiros e defesa da vida, e a Encíclica de Francisco, Laudato Si' têm ótimas orientações. Entre as diversas propostas de agir da CF, destaca-se, em relação ao uso da água:
- promover campanhas de conscientização quanto ao descarte adequado dos resíduos sólidos e esgotos sanitários, para preservar os rios, lagoas e igarapés.
A triste constatação do Papa Francisco deve nos motivar para o agir consciente:
"... o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial,
fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e,
portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem uma grave dívida
social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é
negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável. Esta
dívida é parcialmente saldada com maiores contribuições econômicas para prover
de água limpa e saneamento as populações mais pobres. Entretanto nota-se um
desperdício de água não só nos países desenvolvidos, mas também naqueles em
vias de desenvolvimento que possuem grandes reservas. Isto mostra que o
problema da água é, em parte, uma questão educativa e cultural, porque não há
consciência da gravidade destes comportamentos num contexto de grande
desigualdade" (LS 30).
terça-feira, 21 de março de 2017
Poluição, resíduos e cultura do descarte
A questão da poluição ambiental é um assunto que afeta tanto os moradores da cidade quanto da área rural. Além das informações dos inúmeros programas apresentados na mídia, das notícias que circulam diariamente, é preciso conhecer a palavra fundamentada de quem tem o pensamento orientado para o bem comum, para o bem da humanidade e de toda a criação.
Por isso transcrevo aqui um trecho da belíssima encíclica do Papa Francisco, Laudato Si' (20):
"A exposição aos poluentes
atmosféricos produz uma vasta gama de efeitos sobre a saúde, particularmente
dos mais pobres, e provocam milhões de mortes prematuras. Adoecem, por exemplo,
por causa da inalação de elevadas quantidades de fumo produzido pelos
combustíveis utilizados para cozinhar ou aquecer-se. A isto vem juntar-se a poluição
que afeta a todos, causada pelo transporte, pelos fumos da indústria, pelas
descargas de substâncias que contribuem para a acidificação do solo e da água,
pelos fertilizantes, insecticidas, fungicidas, pesticidas e agro-tóxicos em
geral."
O Papa não se limita a lamentar o que acontece, ressalta que "são produzidas centenas de milhões de toneladas de resíduos, muitos deles não biodegradáveis", fazendo a terra, nossa casa comum, parecer um enorme depósito de lixo" e depois de constatar que "a tecnologia, que, ligada à finança, pretende ser a única solução dos problemas, é incapaz de ver o mistério das múltiplas relações que existem entre as coisas e, por isso, às vezes resolve um problema criando outros."(22), ele apresenta algumas linhas de orientação e ação, no capítulo V:
1. O diálogo sobre o meio ambiente na política internacional;
2. O diálogo para novas políticas nacionais e locais;
3. Diálogo e transparência nos processos decisórios;
4. Política e economia em diálogo para a plenitude humana;
5. As religiões no diálogo com as ciências.
Convido a todos a surpreender-se com as orientações do Papa Francisco e informe-se para participar dos esforços da CRJP para cooperar com essas intenções.
sexta-feira, 17 de março de 2017
Programação da CRJP
Na primeira reunião da Secretaria Executiva da CRJP neste ano de 2017, ficou determinada a programação para este primeiro semestre. A participação de dois membros da CRJP, Antonia Maria Santos Costa e Lairson Palermo, no XV Encontro nacional da CBJP, em novembro de 2016, em Brasília, fortaleceu estreitamento de laços entre as duas Comissões.
Considerando o que foi estabelecido pela CBJP naquele encontro, a CRJP programou encontros com as temáticas propostas:
1.
Resgate da democracia: relações autoritárias, estratégias de comunicação e experiências de diálogo2. Cidade, espaço de cidadania: saneamento; mobilidade urbana; desenvolvimento sustentável com emprego e renda; habitação;
3. Rede Brasileira de Justiça e Paz.
O primeiro encontro realizou-se no dia 4 de março, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, com a participação cerca de 30 membros da CRJP, sendo palestrantes Silas Fauzi, Deputado Pedro Kemp, Susana Alves da Motta e Lairson Palermo. O encontro iniciou-se com uma breve exposição sobre a identidade da CRJP, feita pela Secretária Executiva, Dra. Olga de Marco, seguido de uma apresentação da mística que anima nossos objetivos, apresentada pela Ir. Joana Aparecida Ortiz e sua equipe.
O próximo encontro será no dia 1º de abril, no auditório da Planurb, com o tema de Estratégias de comunicação e Cidade, espaço de cidadania.
Para o encontro de 6 de maio está prevista a presença de Daniel Seidl, de Brasília.
quinta-feira, 16 de março de 2017
Princípios para a ação transformadora
O resumo postado anteriormente, não é suficiente para despertar no leitor a convicção de que convém agir conforme os princípios do Papa Francisco, por isso reproduzo aqui o texto mais longo, extraído do doc. 105 da CNBB - Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade:
1)
O tempo é superior ao espaço. Dar prioridade ao tempo é
ocupar-se mais com iniciar processos do que possuir espaços. Trata-se de
privilegiar as ações que geram novos dinamismos na sociedade e comprometem
outras pessoas e grupos que os desenvolverão até frutificarem em acontecimentos
históricos importantes. É necessário planejar e esperar os resultados da ação
em um horizonte mais amplo, dentro do qual a paciência aguarda os frutos amadurecerem,
a esperança supera todos os desânimos e a fé transcende os imediatismos da ação
que visa resultados para construir a plenitude da existência humana (EG, n. 223).
2)
A unidade
prevalece sobre os conflitos. A ação se depara sempre com situações conflitantes. A
convicção de que a unidade é um princípio superior que norteia a ação permite
encarar de frente o conflito e buscar caminhos de superação na direção de uma
comunhão maior, anterior e para além dos conflitos, por si mesma capaz de
agregar as diferenças. Para tanto, é necessário acolher e respeitar a dignidade
dos outros, suas potencialidades, descobrindo sempre neles Jesus Cristo que
tudo unificou em si (EG, 228-229).
3)
A realidade é mais importante que
as ideias. A
ação transformadora ocorre, evidentemente, a partir de um ideal transformador.
Contudo, esse ideal não pode dispensar o realismo que percebe e acolhe a
realidade concreta com seus desafios em cada momento da ação. A realidade é o
lugar da encarnação da Palavra de Deus no decorrer da história de ontem e de
hoje. Por isso, o cristão leigo é chamado a vivenciar no seu dia a dia o
mistério da encarnação.
4)
O todo é superior à parte. “Entre a globalização e a
localização também se gera uma tensão”(EG 234). Ainda que a parte seja o lugar
imediato da ação e da encarnação do ideal, em termos de discernimento e de
encaminhamento das ações, é necessário ter sempre como horizonte maior a pessoa
de Jesus Cristo e o seu Reino. Desse modo, se evitarão todas as formas de
isolamentos locais e de relativismos individualistas.
quarta-feira, 15 de março de 2017
Princípios para promover a paz
Hoje venho compartilhar com todos os quatro princípios que o Papa Francisco elenca como necessários para quem deseja contribuir "com a construção de um povo em paz, justiça e fraternidade"( cf. Exortação apostólica A alegria do Evangelho (EG, 221). O recente documento 105 da CNBB: Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade, em seu §249, faz um breve resumo dos quatro princípios:
1. O tempo é superior ao espaço;
2. A unidade prevalece sobre os conflitos;
3. A realidade é mais importante do que as ideias;
5. O todo é superior à parte.
terça-feira, 14 de março de 2017
FORSEP E CRJP UNIDOS
A partir de hoje o blog do FORSEP volta à ativa.
Nosso afastamento se deve ao fato de ter sido criada em nosso estado a Comissão Regional de Justiça e Paz, em outubro de 2010. Percebemos que a maioria dos nossos objetivos eram coincidentes e nossos membros, na maior parte, aderiram ao novo engajamento.
Hoje decidimos que o objetivo de fazer o melhor de nossos esforços para construir uma cultura de paz é muito maior e que juntos seremos capazes de pensar melhor e fazer mais.
É com muito prazer que convido todos os amigos a ler, curtir e compartilhar nossas postagens.
Nosso afastamento se deve ao fato de ter sido criada em nosso estado a Comissão Regional de Justiça e Paz, em outubro de 2010. Percebemos que a maioria dos nossos objetivos eram coincidentes e nossos membros, na maior parte, aderiram ao novo engajamento.
Hoje decidimos que o objetivo de fazer o melhor de nossos esforços para construir uma cultura de paz é muito maior e que juntos seremos capazes de pensar melhor e fazer mais.
É com muito prazer que convido todos os amigos a ler, curtir e compartilhar nossas postagens.
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