quinta-feira, 16 de março de 2017

Princípios para a ação transformadora


O resumo postado anteriormente, não é suficiente para despertar no leitor a convicção de que convém  agir conforme os princípios do Papa Francisco, por isso reproduzo aqui o texto mais longo, extraído do doc. 105 da CNBB - Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade:
               
  O Papa Francisco elenca explicitamente quatro princípios específicos que visam contribuir para a “construção de um povo em paz, justiça e fraternidade” (EG, n. 221):
1)      O tempo é superior ao espaço. Dar prioridade ao tempo é ocupar-se mais com iniciar processos do que possuir espaços. Trata-se de privilegiar as ações que geram novos dinamismos na sociedade e comprometem outras pessoas e grupos que os desenvolverão até frutificarem em acontecimentos históricos importantes. É necessário planejar e esperar os resultados da ação em um horizonte mais amplo, dentro do qual a paciência aguarda os frutos amadurecerem, a esperança supera todos os desânimos e a fé transcende os imediatismos da ação que visa resultados para construir a plenitude da existência humana (EG, n. 223).
2)      A unidade prevalece sobre os conflitos. A ação se depara sempre com situações conflitantes. A convicção de que a unidade é um princípio superior que norteia a ação permite encarar de frente o conflito e buscar caminhos de superação na direção de uma comunhão maior, anterior e para além dos conflitos, por si mesma capaz de agregar as diferenças. Para tanto, é necessário acolher e respeitar a dignidade dos outros, suas potencialidades, descobrindo sempre neles Jesus Cristo que tudo unificou em si (EG, 228-229).
3)      A realidade é mais importante que as ideias. A ação transformadora ocorre, evidentemente, a partir de um ideal transformador. Contudo, esse ideal não pode dispensar o realismo que percebe e acolhe a realidade concreta com seus desafios em cada momento da ação. A realidade é o lugar da encarnação da Palavra de Deus no decorrer da história de ontem e de hoje. Por isso, o cristão leigo é chamado a vivenciar no seu dia a dia o mistério da encarnação.

4)      O todo é superior à parte. “Entre a globalização e a localização também se gera uma tensão”(EG 234). Ainda que a parte seja o lugar imediato da ação e da encarnação do ideal, em termos de discernimento e de encaminhamento das ações, é necessário ter sempre como horizonte maior a pessoa de Jesus Cristo e o seu Reino. Desse modo, se evitarão todas as formas de isolamentos locais e de relativismos individualistas.

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