Passamos até agora por diversas obras dos Papas desde Leão XIII, que constituem a história dos princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja, conforme o contexto da época em que foram pensados e escritos.
Chegamos então ao momento atual, com o pensamento do Papa Francisco, uma Papa nascido na América Latina e que traz novas luzes para quem deseja viver os ensinamentos do Evangelho.
Ele tem uma visão pastoral que permite tornar concreto o núcleo da mensagem de Jesus: fé, esperança e caridade não são meros conceitos, mas uma prática de vida, provoca uma ação concreta:
«Às vezes esquecemos que a nossa fé é concreta: o Verbo fez-se carne, não se fez ideia: fez-se carne». Não é por acaso que «quando recitamos o Credo, dizemos coisas concretas: “Creio em Deus Pai, que fez o céu e a terra, creio em Jesus Cristo que nasceu, morreu...”, são coisas concretas. O nosso Credo não diz: “Creio que devo fazer isto, isso e aquilo, ou que as coisas são para isto...”: não! São coisas concretas». ( Meditações matutinas, em 24 de abril de 2017).
Ora, os ensinamentos da DSI são também concretos, porque são propostas de atitudes, de comportamento de quem quer viver a fé. Isso não importa excluir as pessoas não batizadas, ou não cristãos, pelo contrário, abre para elas a liberdade de aderir a modos de viver que conduzem à justiça e à paz.
O Papa Francisco diariamente expressa em seus discursos, homilias e mensagens aquilo que solenemente se encontra em suas duas Encíclicas e duas Exortações apostólicas:
Lumen Fidei, sobre a fé ( LF), Encíclica datada de 29 de junho de 2013, escrita para completar o que o Papa Emérito Bento XVI escreveu nas suas encíclicas sobre a Esperança e o Amor: Spe Salvi e Veritas in Caritate.
Evangelii Gaudium, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG), Exortação apostólica de 24 de novembro de 2013, com as conclusões do sínodo sobre evangelização.
Lautato si', sobre o cuidado da casa comum (LS), Encíclica de 24 de maio de 2015, que teve repercussão mundial, por sua atualidade e significado para a sobrevivência da humanidade.
Amoris laetitia, sobre o amor na família (AL), Exortação apostólica datada de 19 de março de 2016, com as conclusões do sínodo sobre a família.
Entre muitas reflexões, quer se trate da fé, do anúncio do Evangelho, do cuidado ambiental ou do amor matrimonial, podemos destacar uma constante preocupação social:
"A fé ilumina a vida social." (LF 55);
"A política não deve submeter-se à economia" (LS 189);
"Nenhuma união precária ou fechada à transmissão da vida garante o futuro da sociedade" (AL 52);
"Muitas vezes a própria política é responsável pelo seu descrédito, graças à corrupção e a falta de boas políticas públicas" (LS 197);
"Aos problemas sociais responde-se, não com a mera soma de bens individuais, mas com redes comunitárias" (LS 219);
"A dignidade da pessoas humana e o bem comum estão por cima da tranquilidade de alguns que não querem renunciar aos seus privilégios." (EG 218);
"O autor principal, o sujeito histórico desse processo (de construção da paz e da justiça), é o povo e a sua cultura, não uma classe, uma fração, um grupo, uma elite" (EG 239).
(continua)
"NEM TUDO QUE SE ENFRENTA PODE SER MODIFICADO, MAS NADA PODE SER MODIFICADO ATÉ QUE SEJA ENFRENTADO" Clique no título BLOG ANTERIOR DO FORSEP MS (abaixo) para acessar todas as publicações realizadas no período de 2009 (ano de criação do FORSEP) até julho de 2012 (última publicação da primeira fase do Fórum)
terça-feira, 9 de maio de 2017
quarta-feira, 3 de maio de 2017
CRJP/MS PARTICIPA DE MANIFESTAÇÕES DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
A Comissão Regional de
Justiça e Paz participou efetivamente das manifestações do dia 28 de abril
e 1º
de maio, protestando contra as propostas do governo para as chamadas reformas
da previdência
e trabalhista, além da Lei da terceirização.
Na manhã de sexta-feira, 28 de abril, acolhendo as convocações de
diversos movimentos sociais,
sindicatos, CNBB, OAB e outras instituições de classe, os membros da CRJP/MS uniram-se à
multidão na Praça Ary Coelho e caminharam pela rua 14 de Julho, formando uma massa humana
que lotou mais de dez quadras, até a Assembleia Legislativa, onde realizou-se uma audiência pública.
sindicatos, CNBB, OAB e outras instituições de classe, os membros da CRJP/MS uniram-se à
multidão na Praça Ary Coelho e caminharam pela rua 14 de Julho, formando uma massa humana
que lotou mais de dez quadras, até a Assembleia Legislativa, onde realizou-se uma audiência pública.
A maioria do comércio da região fechou suas portas em apoio ao movimento, com cerca de 70 mil manifestantes, crianças, jovens, adultos e idosos.
Tudo
transcorreu de modo pacífico, sem nenhuma ocorrência negativa.
Os carros de som
e as palavras de ordem motivavam os participantes de diversos credos, sem
identificação de partidos.
No dia 1º de maio, dia do Trabalhador, na Igreja São Francisco de Assis, foi celebrada missa em honra de São José Operário, com liturgia preparada pela Rede Celebra, CIMI, ACP e CRJP, leigos e religiosos. A missa presidida pelo Coordenador de Pastoral Diocesana, Pe. Agenor Martins, concelebrada pelos Padres Carlos Botura e Márcio Reis, foi precedida de canto, dança e bênção com rito indígena. A homilia proferida pelo presidente da celebração foi uma exortação aos fiéis para que respeitem a dignidade humana, os direitos de todos, especialmente o direito ao trabalho, descanso e justa remuneração.
Ao final da Missa foi lida a Carta Aberta de Dom Dimas Lara Barbosa, Arcebispo Metropolitano, em que ele exorta a todos os fiéis a “darem atenção aos debates sobre as propostas em tramitação no Congresso... expressando seus pareceres aos parlamentares e participando de todas as manifestações democráticas e pacíficas que visem a preservar os direitos e garantias historicamente conquistados, evitando a exclusão social”.
Ao final da Missa foi lida a Carta Aberta de Dom Dimas Lara Barbosa, Arcebispo Metropolitano, em que ele exorta a todos os fiéis a “darem atenção aos debates sobre as propostas em tramitação no Congresso... expressando seus pareceres aos parlamentares e participando de todas as manifestações democráticas e pacíficas que visem a preservar os direitos e garantias historicamente conquistados, evitando a exclusão social”.
Depois da bênção foi entoado o Hino Nacional e as frutas oferecidas abençoadas durante a celebração foram partilhadas entre os participantes.
terça-feira, 2 de maio de 2017
GOTAS DE DSI 3
AS DECISÕES DO CONCÍLIO VATICANO II tiveram e têm até hoje importância fundamental nos rumos da Igreja e decisivas consequências na sociedade não só dos fiéis, mas universal.
Muito do que foi escrito a partir do Concílio reflete os princípios ali expostos.
São marcantes as posições tomadas pelo Papa São João Paulo II, que dedicou valiosos documentos quanto à Doutrina Social da Igreja, aprofundando-se em temas como o trabalho, a preocupação com a solidariedade entre as nações, colocando em destaque a estreita relação entre solidariedade e bem comum, solidariedade e destinação universal dos bens, solidariedade e igualdade entre os homens e os povos, sendo determinante na construção da paz.
Três encíclicas, ainda hoje citadas em documentos posteriores, marcam o ensinamento desse Papa:
Laborem Exercens (1981)- Num contexto de graves conflitos entre capital e trabalho, o Papa João paulo II diz expressamente que "o direito à propriedade privada está subordinado ao direito ao uso comum", isto é, à destinação universal dos bens dos bens (§14). Reconhece a função social de qualquer forma de posse privada, inclusive aqueles decorrentes do progresso econômico e tecnológico.
Sollicitudo Rei Socialis (1987)- O progresso de uns, especialmente de nações já desenvolvidas, provoca profundas desigualdades sociais e injustiças que ferem a dignidade humana.
Centesimus Annus (1991)- Em memória dos 100 anos da primeira encíclica social, a de Leão XIII, o Papa São João Paulo II coloca no centro dos problemas sociais a questão da liberdade de tomar iniciativas econômicas e trata da responsabilidade dos empresários de respeitar a dignidade da pessoa e as exigências do bem comum (§43).
Depois do longo pontificado de São João Paulo II, coube ao Papa Emérito Bento XVI atualizar as questões sociais diante dos questionamentos da modernidade. Destacam-se as encíclicas que tratam da crescente globalização, crise mundial da economia e consequente aumento da miséria.
Muito do que foi escrito a partir do Concílio reflete os princípios ali expostos.
São marcantes as posições tomadas pelo Papa São João Paulo II, que dedicou valiosos documentos quanto à Doutrina Social da Igreja, aprofundando-se em temas como o trabalho, a preocupação com a solidariedade entre as nações, colocando em destaque a estreita relação entre solidariedade e bem comum, solidariedade e destinação universal dos bens, solidariedade e igualdade entre os homens e os povos, sendo determinante na construção da paz.
Três encíclicas, ainda hoje citadas em documentos posteriores, marcam o ensinamento desse Papa:
Laborem Exercens (1981)- Num contexto de graves conflitos entre capital e trabalho, o Papa João paulo II diz expressamente que "o direito à propriedade privada está subordinado ao direito ao uso comum", isto é, à destinação universal dos bens dos bens (§14). Reconhece a função social de qualquer forma de posse privada, inclusive aqueles decorrentes do progresso econômico e tecnológico.
Sollicitudo Rei Socialis (1987)- O progresso de uns, especialmente de nações já desenvolvidas, provoca profundas desigualdades sociais e injustiças que ferem a dignidade humana.
Centesimus Annus (1991)- Em memória dos 100 anos da primeira encíclica social, a de Leão XIII, o Papa São João Paulo II coloca no centro dos problemas sociais a questão da liberdade de tomar iniciativas econômicas e trata da responsabilidade dos empresários de respeitar a dignidade da pessoa e as exigências do bem comum (§43).
Normalmente não se incluem entre os documentos da Doutrina Social da Igreja aqueles que tratam especificamente da família e da vida humana, mas se tivermos presente que toda a DSI tem por fundamento a dignidade da pessoa humana, podemos também incluir neste rol, a Exortação apostólica Familiaris Consortio (1982) e Encíclica Evangelium vitae (1995) e inúmeras cartas, mensagens e discursos sobre o matrimônio e a família como base da sociedade, o aborto, a pena de morte e a clonagem humana.
Depois do longo pontificado de São João Paulo II, coube ao Papa Emérito Bento XVI atualizar as questões sociais diante dos questionamentos da modernidade. Destacam-se as encíclicas que tratam da crescente globalização, crise mundial da economia e consequente aumento da miséria.
Deus Caritas Est (2005) - Trata da caridade como manifestação do amor de Deus, reflete sobre a justiça e a caridade, das atividades caritativas e dos responsáveis por elas.
Spe Salvi (2007) - Trata da esperança cristã, que devemos manter mesmo nas horas mais difíceis. "Uma sociedade que não consegue aceitar os que sofrem e não é capaz de contribuir, mediante a compaixão [...] é uma sociedade cruel e desumana" (§38) Caritas in Veritate (2009) - Retoma alguns princípios da encíclica Populorum Progressio, de Paulo VI, quanto à justiça e o bem comum, trazendo a reflexão para o século XXI. (continua) |
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