terça-feira, 9 de maio de 2017

GOTAS DE DSI 4

Passamos até agora por diversas obras dos Papas desde Leão XIII, que constituem a história dos princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja, conforme o contexto da época em que foram pensados e escritos.
Chegamos então ao momento atual, com o pensamento do Papa Francisco, uma Papa nascido na América Latina e que traz novas luzes para quem deseja viver os ensinamentos do Evangelho.
Ele tem uma visão pastoral que permite tornar concreto o núcleo da mensagem de Jesus: fé, esperança e caridade não são meros conceitos, mas uma prática de vida, provoca uma ação concreta:
«Às vezes esquecemos que a nossa fé é concreta: o Verbo fez-se carne, não se fez ideia: fez-se carne». Não é por acaso que «quando recitamos o Credo, dizemos coisas concretas: “Creio em Deus Pai, que fez o céu e a terra, creio em Jesus Cristo que nasceu, morreu...”, são coisas concretas. O nosso Credo não diz: “Creio que devo fazer isto, isso e aquilo, ou que as coisas são para isto...”: não! São coisas concretas». ( Meditações matutinas, em 24 de abril de 2017).
Ora, os ensinamentos da DSI são também concretos, porque são propostas de atitudes, de comportamento de quem quer viver a fé. Isso não importa excluir as pessoas não batizadas, ou não cristãos, pelo contrário, abre para elas a liberdade de aderir a modos de viver que conduzem à justiça e à paz.
Papa Francisco diariamente expressa  em seus discursos, homilias e mensagens aquilo que solenemente se encontra em suas duas Encíclicas e duas Exortações apostólicas:
Lumen Fidei, sobre a fé ( LF), Encíclica datada de 29 de junho de 2013, escrita para completar o que o Papa Emérito Bento XVI escreveu nas suas encíclicas sobre  a Esperança e o Amor: Spe Salvi e Veritas in Caritate.
Evangelii Gaudium, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG), Exortação apostólica de 24 de novembro de 2013, com as conclusões do sínodo sobre evangelização.
Lautato si', sobre o cuidado da casa comum (LS), Encíclica de 24 de maio de 2015, que teve repercussão mundial, por sua atualidade e significado para a sobrevivência da humanidade.
Amoris laetitia, sobre o amor na família (AL), Exortação apostólica datada de 19 de março de 2016, com as conclusões do sínodo sobre a família.
Entre muitas reflexões, quer se trate da fé, do anúncio do Evangelho, do cuidado ambiental ou do amor matrimonial, podemos destacar uma constante preocupação social: 
"A fé ilumina a vida social." (LF 55);
"A política não deve submeter-se à economia" (LS 189);
"Nenhuma união precária ou fechada à transmissão da vida garante o futuro da sociedade" (AL 52);
"Muitas vezes a própria política é responsável pelo seu descrédito, graças à corrupção e a falta de boas políticas públicas" (LS 197);
"Aos problemas sociais responde-se, não com a mera soma de bens individuais, mas com redes comunitárias" (LS 219);
"A dignidade da pessoas humana e o bem comum estão por cima da tranquilidade de alguns que não querem renunciar aos seus privilégios." (EG 218);
"O autor principal, o sujeito histórico desse processo (de construção da paz e da justiça), é o povo e a sua cultura, não uma classe, uma fração, um grupo, uma elite" (EG 239).

(continua)

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